quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O Preço do Longo Prazo: Entre a Miragem do Petróleo e a Urgência de Produzir Angola

 O Preço do Longo Prazo: Entre a Miragem do Petróleo e a Urgência de Produzir Angola

INTRODUÇÃO

Durante décadas, a economia real angolana apresentou uma contradição insustentável: embora pequena e frágil em termos de produção interna, sempre debateu a sua moeda e as suas contas públicas à boleia da capacidade de geração de divisas via exportação de crude. A dependência do petróleo nunca foi apenas uma questão orçamental; foi, acima de tudo, uma punição autoinfligida pela escolha sistemática da maximização das utilidades pessoais e de curto prazo em detrimento das necessidades estruturais e coletivas. Hoje, porém, as notícias que chegam da indústria petrolífera angolana revelam um paradoxo: enquanto os investimentos estrangeiros no sector atingem valores históricos, a sensação de crise na vida real dos angolanos persiste. Porquê?

DESENVOLVIMENTO

1. A Miragem dos 70 Mil Milhões de Dólares

A imprensa especializada anuncia, com entusiasmo, que Angola espera um pipeline de investimento estrangeiro direto (IDE) de 70 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos . Multinacionais como a TotalEnergies, Azule Energy, ExxonMobil e a recém-regressada Shell comprometem-se com valores avultados: 5 mil milhões da Azule, 3 mil milhões da TotalEnergies no projeto Dalia, e uma potencial injeção de 15 mil milhões por parte da ExxonMobil .

À primeira vista, estes números são o êxtase de qualquer ministro da Economia. Contudo, esta coreografia de capitais no sector extrativo não tem feito dançar a alegre sustentabilidade económica do mercado interno. Pelo contrário, tem demonstrado que é possível ter o país classificado como destino preferencial para o upstream petrolífero enquanto, paralelamente, o tecido produtivo não petrolífero permanece na ínfima marginalidade.

A aposta na "estabilidade regulatória" e na "flexibilidade fiscal" para os gigantes do petróleo não tem tido correspondência na criação de um ambiente igualmente previsível para o investidor fabril, agrícola ou tecnológico. É legítimo questionar: se fomos capazes de criar um regime jurídico e fiscal especial (Decreto de Produção Incremental) para estimular a ExxonMobil a extrair mais crude, porque não fomos capazes de replicar essa engenharia institucional para estimular a produção de milho, soja ou têxteis no Planalto Central?

2. Arrumar a Casa para Quem?

Aparentemente, a gestão local dos recursos sempre operou sob a premissa de que investimentos de alta maturação — como infraestruturas de suporte à produção, diversificação económica e capital humano — não garantem retornos "pessoais" no curto prazo eleitoral ou corporativo. Esta aversão ao longo prazo afugentou o impulso necessário para a acumulação de renda interna, consumo e poupança nacional.

O resultado é o que vemos: na ausência de receitas a volumes costumeiros, a palavra de ordem é "restringir". Restringe-se a importação, restringe-se o acesso a divisas, restringe-se o sonho. Contudo, a atual vaga de investimento estrangeiro no petróleo prova que há capital global disposto a chegar. O problema nunca foi a falta de dinheiro; foi sempre a falta de coragem para tornar o mercado não petrolífero tão atrativo, estável e fiscalmente competitivo quanto o foi para o consórcio de Azule Energy ou para a Shell.

3. O Mimetismo Perigoso e a Falácia da Estabilidade

Os relatórios exaltam a "transformação silenciosa" de Angola, a "previsibilidade" para as petroleiras e o sucesso do regime de oferta permanente da ANPG . Louvam-se as políticas que permitem à ExxonMobil expandir portfólios e garantir descobertas como o poço Likembe-1. É meritório. Mas este sucesso mediático não pode servir de biombo para a ausência de um choque de capitalismo produtivo interno.

Vivemos um mimetismo perigoso: acreditar que a estabilidade macroeconómica para o petróleo equivale a estabilidade estrutural para o país. Não equivale. Enquanto o investimento direto estrangeiro for sinónimo exclusivo de investimento extrativo, Angola continuará a ser uma economia de enclave. A música que toca na AOG (Angola Oil & Gas) é alegre apenas para o balcão de negócios do petróleo. Para a economia real, que clama por diversificação, o que se ouve é o silêncio ensurdecedor da ausência de políticas igualmente ousadas.

CONCLUSÃO

O preço do longo prazo que nos recusamos a pagar tem vindo a acumular juros. O país que atrai 70 mil milhões para o petróleo, mas não consegue consolidar um parque industrial competitivo, não está a diversificar-se; está apenas a gerir a escassez com mais sofisticação.

A verdadeira arrumação da casa não passa apenas pela disciplina fiscal ou pelo cumprimento das metas com o FMI. Passa por transferir para o sector produtivo não petrolífero a mesma inteligência regulatória, os mesmos incentivos fiscais e a mesma celeridade processual que reservámos para o crude.

Enquanto não houver vergonha na assimetria entre o tratamento dado à Texaco e o tratamento dado ao agricultor familiar, continuaremos reféns. O sonho de uma Angola que produz o que consome não pode continuar refém da próxima ronda de licitações. Ou decidimos, finalmente, que o mercado interno merece as mesmas condições de competitividade que oferecemos aos players globais, ou continuaremos a dançar sozinhos, numa pista onde a música só toca para quem tem petróleo para vender.

quarta-feira, 26 de março de 2025

 A Racionalidade do Ajuste Atualizado dos Preços dos Combustíveis: Uma Necessidade Económica ou Estrutural?


A recente atualização dos preços dos combustíveis em Angola reflete o esforço do governo para reduzir o peso dos subsídios no orçamento, alinhando-se com os preços internacionais e liberando recursos para necessidades sociais. Contudo, essa medida, embora economicamente justificável, traz desafios inflacionários. Dados indicam que um aumento de 1% nos preços da gasolina e gasóleo eleva a inflação em 0,0735%, pressionando o custo de vida.

A reforma dos subsídios, gradual e necessária, visa aliviar o fisco, mas exige políticas complementares. No curto prazo, medidas diretas—como subsidiar a cesta básica—podem mitigar impactos sociais. No longo prazo, investir em infraestruturas, como refinarias locais via parcerias público-privadas, reduzirá a dependência de importações e fortalecerá a autonomia energética.

A racionalidade da política está clara, mas sua eficácia dependerá de uma abordagem multidimensional que equilibre ajuste fiscal, proteção social e desenvolvimento estrutural. Angola precisa transformar essa reforma em uma oportunidade para crescimento sustentável, evitando que a população mais vulnerável pague o preço da transição.

sábado, 10 de junho de 2017

FALENCIA ECONOMICA?





D
evastada pela incapacidade de reversao as expectativas dos agentes, rentáveis cotados a baixo, definiram a marcha de um intento estrutural governamental de  crescimento economico essencialmente dependente de uma matéria prima em baixa. As obrigaçoes do tesouro seu ciclo denuncia
Com quedas acentuadas nas receitas e fontes de custeio das despesas do correntes, contribuem para a piora da negatividade dos dos principais indicadore da saúde econômica de Angola. Conjuntura-se aos milhões, onde são ilustrados cenário de aparente falta de alternativas viáveis para soluções económicas sustentáveis.   A leitura da crise vem traduzida por um serie de medidas de desestimulo da economia, surgimento de impostos diversos, elevação destes,  e alargamento da base para a sustentação das despesas do Estados. Não seria o contrário?. 
Medidas restritivas, são impopulares, pois inibem a  actividade económica já incipiente e pouco significante em termos a quando deveríamos estimula-las.. Sem produção interna capaz  de interiorizar divisas aos níveis de rendimentos petrolíferos , a ideia é a de que nada se pode fazer ou a de que tudo é válido para manter a máquina a funcionar. 
Que pensarmos , em separarmos o curto do longo prazo. O curto de ajuste e a busca pela gestão diante de escassa disponibilidade. O médio e o da concretiza do rearranjo, o da noção da enumeração das capacidades e potencialidades passíveis de serem vista como o fundo das oportunidades.No longo o cenário se constitui no momento em que a produção Nacional consegue suprir a necessidade Nacional a nível de 70 a 80%.
 . Nossas vantagens comparadas têm sido exploradas ao ponto de gerar divisas suficientes? Há identificação do potencial.  A ilusão das despesas aureas ainda persiste , a custo de endividamento é fugir de uma sensação de outra guerra fratricida.
A acomodação  embora para muitos tornar-se de comportamento com correlação direta com a crise e da mesma forma com o crescimento. O impecto de gastos e saque  desmensurado e a depredação patrimonial sem resultante benefiaria Nacional é o vício de algo a entender como viés da não prosperidade. O sustento  monosector bilhionario abastava difusas camadas  é em função do preço favorável milhonarios exponecialmente nascem e atraindo prevaricadores estrangeiros.
a classe Z, todo mundo via dólar não cobre mais as despesas do momento. A reversao economica demonstrou quao pouco ah um progresso fragiel é siste  Dr acortina caiu e desnundou uma realidade Não há capacitação técnica Nacional disponível para produzir com valor agregado e exportar sem recorrer -se a contratação de recurso externo oneroso; Não investimento pois não há poupa há nça Nacional os riscos inerentes desestimular o investimento; o curto prazo é o tempo factível,  poupança Nacional está no exterior e por outra as remessas enviadas no exterior são uma prática de garantia ao colateral risco país eminente; Não há formação bruta de capital fixo suficiente para um potenciar a produção nacionalpois os custos inerentes são elitizados e burocrático; não há  autosuficiencia em productos básicos pois a produção só ocorre com insumos importados e dependentes de câmbio favorável; não há indústria capaz de reverter a balança comercial por meio do aumento da produtividade. Só existe saída de recursos e não entrada um país com contrapartidas financeiras.


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